20/05/2012 13:25
O vocábulo "a" e suas articulações na frase: Um estudo morfossintático
UM ESTUDO MORFOSSINTÁTICO
1. Introdução
Neste trabalho apresentaremos um estudo do vocábulo A e as funções por ele desempenhadas no conteúdo frasal.
Nas obras A estrutura morfossintática (Macambira, 1997); Fundamentos de gramática do português.(Azeredo, 2000); Revista Confluência n. 23 e Moderna gramática portuguesa (Bechara, 2002) encontramos o embasamento teórico necessário ao estudo pretendido.
De acordo com José Rebouças Macambira (1997), o vocabulário que constitui um idioma divide-se em formas livres e presas:
Forma livre é aquela que pode aparecer sozinha no discurso, especialmente numa pergunta ou numa resposta.
Forma presa é aquela que não pode aparecer sozinha no discurso, especialmente numa pergunta ou numa resposta.
Trataremos aqui de uma forma presa: o vocábulo A, por constituir uma forma dependente, de acordo com as reflexões elaboradas pelo professor José Carlos de Azeredo (2000, p. 262):
A sintaxe se ocupa das regras que estruturam a oração a partir das unidades livres e dependentes (cf. J. Mattoso Câmara Jr.; Estrutura da língua portuguesa). As preposições e as conjunções se encontram entre as unidades dependentes. Portanto, têm um papel sintático que cabe à análise esclarecer. Já o efeito das relações sintáticas sobre as formas presas (desinências) pertence à morfossintaxe.
Da revista Confluência, que apresenta o artigo Sobre o ensino do idioma nacional: problemas, propostas e perspectivas, escrito por Eugenio Coseriu e traduzido por Evanildo Bechara, destacamos, dentre os aspectos de ensino da linguagem, os seguintes:
a) delimitação do objeto que se deve ensinar; b) delimitação dos objetivos do ensino, pois estes itens dizem respeito à discussão teórico-crítica dos conteúdos de língua portuguesa. Essa delimitação se subordina a uma diretriz instituída por uma política educacional emanada dos poderes constituídos da União, que interfere diretamente na atuação do professor em sala de aula.
Acrescentamos que as colocações de Evanildo Bechara sobre os planos e os conteúdos lingüísticos, concernentes a uma postura semelhante a de Coseriu (Confluência), parecem ter influenciado a elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN quando registram:
O processo de ensino/aprendizagem de Língua Portuguesa deve basear-se em propostas interativas língua/linguagem, consideradas em um processo discursivo de construção do pensamento simbólico, constitutivo de cada aluno em particular e da sociedade em geral.(...)
A interação é o que faz com que a linguagem seja comunicativa. Esse princípio anula qualquer pressuposto que tenta referendar o estudo de uma língua isolada do ato interlocutivo.
Portanto, recorremos aos subsídios teóricos postulados por José Rebouças Macambira, José Carlos de Azeredo, Eugenio Coseriu e Evanildo Bechara para discutir as articulações do vocábulo A no conteúdo frasal.
2. Morfossintaxe do vocábulo A
Ao destacar o que diz Azeredo (2000, p. 262) sobre as preposições e as conjunções, o vocábulo A é classificado como artigo definido, preposição ou pronome oblíquo átono, exercendo respectivamente as funções de adjunto adnominal, preposição (conforme a Nomenclatura Gramatical Brasileira – NGB, sem função sintática) e objeto direto.
Acresce esclarecer que Bechara, em palestra no Instituto de Letras da UERJ, realizada no dia 18.08.2003 questionou o emprego do vocábulo O exercendo a função de pronome demonstrativo, quando deveria ser artigo definido. Isso nos inspirou a refletir sobre essa mesma ocorrência em relação ao vocábulo A.
Com referência à função da preposição, Azeredo observa que:
Outro problema que vejo na descrição gramatical tradicional, ordinariamente ignorado mesmo por propostas mais modernas, é o silêncio sobre o estado sintático dos conectivos. Afinal, preposições e conjunções desempenham ou não funções sintáticas? A tradição gramatical nos habituou a associar funções sintáticas a papéis semânticos, tanto que nos ensinou a distribuí-las em três grandes classes: termos essenciais, termos integrantes e termos acessórios. Onde ficam os conectivos? Bem, diremos nós, os conectivos ligam os termos – se são de coordenação – ou os introduzem – se são de subordinação. Por que não dizer que justamente essas são as funções sintáticas dessas unidades?
Essa posição questionadora leva-nos a concluir ser o vocábulo A, como preposição, um objeto de estudo morfossintático, pois Azeredo usa um argumento convincente em confronto com a NGB.
Assim sendo, selecionamos algumas frases e analisamos a função do vocábulo A.
Do ponto de vista tradicional, temos a seguinte análise: a funcionando como preposição (sem função sintática) + a como artigo funcionando como adjunto adnominal.
No da modernidade, o a preposição exerce a função de ligar (Azeredo,op.cit.262) os termos venho e praia + a artigo na função de adjunto adnominal.
Tradicionalmente:
Modernamente:
3. A1 alma do sertanejo se confunde com a2 terra, o gado, a3 vegetação
Em todas as articulações temos artigo definido com função de adjunto adnominal.
4. Nunca a encontramos em casa.
Pronome oblíquo átono com função de objeto direto.
5. De todas as1 garotas da classe, Paula foi a2 que mais me impressionou. Gostaria de ter ido a3 sua festa com ela. Eu a4 convidei, mas ela não aceitou.
Tradicionalmente:
Modernamente: